domingo, 20 de abril de 2014
Sim ou nunca mais?
Eu não sabia que ainda doía. Descobri isso da pior maneira. Descobri vendo seu sorriso ao lado dela. Descobri no cuidado que tem por outra, nas fotografias que registram sua felicidade sem mim. Não pensei que seria feliz sem mim. Isso faz doer.
Queria prometer que esse será seu último texto nesse blog, mas não posso garantir. Você ainda arde, ainda queima, ainda machuca. Me prende num talvez, pelo não que nunca foi dito. Pelo adeus que faltou. Estou paralisada esperando um nunca mais.
Ainda grito tanto por você dentro de mim que não ouço outros chamados. Não ouço meus conselhos, outras angústias, minha carência. Você me administra à distância, mesmo sem saber. Seria mesmo amor ou possessividade? Não me interessa saber. Isso não mudaria nada. Continuarei achando que mereço mais o seu amor do que ela...
Suécia, eu te odeio!
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Inversão de sentido
Queria poder fazer sentido, mas no momento não fazer sentido é o que corresponde à verdade desse texto.
Gostaria de esperar para construir um bom parágrafo, mas a angústia não me deixa. Tudo vem à boca no momento de calar. Então os dedos transbordam tudo aquilo que ressecaria. Aquilo que é feio e amargo. Confuso, mas também mostra a clareza dos fatos. Tudo que estava na minha frente e eu insistia em desviar.
Sabe, o acúmulo tem dessas coisas. Uma hora transborda. E aí transborda tudo! A paciência, a compreensão e os olhos, que são a gota d'água. E quando tudo isso resseca, só resta a confiança desconstruída.
A desconfiança.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Touch me
Eu me desapego do meu corpo. Agora não há nada meu e nem seu. Tudo é da dança. Dou o primeiro passo e meu corpo responde. O coração acompanha a batida e a música me leva. Ele encosta em meu corpo e agora somos um só. Um só corpo, um só ritmo, um só desejo. O salão está vazio. Eu ouço sua respiração de perto. O suor escorre mas não sinto calor, somente a música. Rodopio e volto para os seus braços em segurança. Ele precisa ser firme, pois sabe que eu tentarei conduzir. Estou exausta, mas não o suficiente para desistir. Nada acontece lá fora. A vida está nesse salão. A vida está voltando para mim. Sinto tudo isso enquanto ele me curva para trás de maneira repentina e eu retorno lentamente mantendo o contato visual. Basta um leve toque para que eu perceba a qual direção me conduz. Não uso mais sapatos, tornaram- se a extensão dos meu pés. Notas musicais transformam passos em arte, braços em acabamento, mãos em bússolas que me conduzem por todo salão em meio a outras artes móveis. Isso é a dança. É a tentativa de tradução de algo que somente sentido pode ser entendido.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Eu finjo ter paciência
Tudo levita enquanto eu procuro um chão.
Não sei até quando este que estou confiando meus pés ainda estará aqui, no entanto desconheço o próximo passo.
Tudo foi feito, mas a espera sempre consome.
Tudo parece flutuar ao seu redor enquanto você espera.
A gota da chuva leva 3 segundos a mais para tocar minha pele. Tudo isso enquanto eu espero.
Perguntas sem respostas, borboletas no estômago, datas sem limite, distância que encobre. E eu ainda espero.
Uma ligação, uma encomenda, um e-mail, um convite, um sms, uma in box, a campainha. E nada se move.
A água do arroz seca, o fruto apodrece, a Terra termina sua volta em torno do Sol e é só o começo da espera.
Sem certezas, sem escolha, sem saída. Eu apenas espero.
E é isso que me sopra a vida.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
30 minutos para o fim de tudo
Você tem 30 minutos. Sim, isso mesmo. 30 minutos antes do fim de tudo você foi informada do evento. O que fazer?
Escolher uma bela roupa é uma opção. Ninguém quer que tudo se acabe antes de usar o belo vestido virgem, pendurado no seu guarda roupa, à espera daquele convite especial.
Gastar o crédito que te resta no celular ligando para um desconhecido para contar tudo o que nunca teve coragem nem mesmo de dizer para si em voz alta. Também é uma alternativa.
Fazer tirolesa nos cabos do bondinho do Pão de Açúcar. Mostre que venceu o sedentarismo no final.
Ligar para seu pai e dizer que o perdoa pelos 28 anos de ausência. Dizer que o ama e o aceita do jeito que é. Contar-lhe que o som de sua risada é tão bom quanto estrogonofe de camarão com batata palha finíssima!
Pentear os cabelos da sua mãe enquanto diz o quanto a admira por ser tão forte e por ter feito de você grande parte do que é hoje. Agradecer pelos brinquedos da infância dela, guardados com tanto carinho à espera de sua chegada. Dizer que ela faz o melhor brigadeiro do mundo e, depois de um leve beijo, dizer que a ama.
Sugiro que use aquele patins que comprou. Afinal, foi com esse objetivo que se empenhou tanto na jornada à procura do patins perfeito.
Você pode voltar a ter o cabelo vermelho. Hoje em dia as tinturas são mais rápidas. Pode ser que dê tempo.
Acho que deveria atualizar aquele blog falecido. Nunca se sabe se essas informações permanecerão nessa tal de nuvem depois do fim de tudo. Pode ser que sobrem essas "nuvens" e as baratas, somente.
Seria uma ótima oportunidade de dizer para Tati Bernardi o quanto a admira. Fazer isso antes de morrer pode causar alívio. Cuidado, a angústia pode te fazer falta.
Sabe aquela "amiga" recalcada que vive te podando? Pode ser a hora dela saber o que você sente quando ela é inconveniente com suas já conhecidas perguntas, também inconvenientes, feitas em público.
Tem também aquele sujeito cheio de predicados que você é louca para praticar uma ação, mas não acredita em seu potencial o suficiente, no seu Sex Appeal . Vai lá, boba! Você tem meia hora até que o mundo se exploda.
Grite na sacada da sua varanda. Seus vizinhos mal escutam o "bom dia" que você raramente dá. Demonstre que você tem pulmões e garganta adestrados. Ou seja, sabe alterar seu volume vocal evitando, assim, falar como se a vida fosse um constante bar da esquina.
Pule da Pedra da Baleia. O máximo que pode acontecer é você antecipar o evento em 30 minutos.
Conecte o seu Skype. Faça a tão esperada ligação.- "Hej!", você dirá. Mesmo que tudo se acabe, tem coisas que parecem perdurar até depois do fim.
Salte de cabeça na piscina. Você consegue. Medo, nesse momento, já não faz mais sentido.
Pensando melhor... Pensando com todos os meus botões, vai que esse mundo não acaba de novo? Teima em ficar inteiro mais uma vez. Não seria a primeira vez. E você é certinha de mais, metódica de mais para aguentar as consequências de atos tão espontâneos. Para suportar a frustração da espera do fim de tudo e ele não chegar.
Espere o fim de tudo assistindo aos vídeos da Porta dos Fundos. Se tudo der certo, terminará fazendo o que gosta, caso contrário, só terá que esperar a próxima atualização do site, levando sua vida pacata e sem emoção.
domingo, 14 de outubro de 2012
Não mais que uma vez
Uma vez você foi embora.
Uma vez senti seu cheiro nos lençois.
Uma vez coloquei no seu canal preferido.
Uma vez vi o seu reflexo no meu espelho.
Uma vez deixei sua escova de dentes guardada.
Uma vez a joguei no lixo.
Uma vez vi sua sombra no box enquanto me banhava.
Uma vez senti sua falta na cama enquanto eu dormia.
Uma vez fechei a porta do meu quarto.
Uma vez percebi que você não retornaria.
Mas foi só uma vez...
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Um dia...
sexta-feira, 18 de maio de 2012
A multiplicação da poça d'água
Pela manhã ela continuava ali me olhando. Tateei a mesa, verifiquei os panos próximos à janela e nada. Concluí, então, que alguém poderia ter lavado o corredor do prédio e deixado um considerável volume de água passar por debaixo da minha porta. Resmunguei algo baixinho e fui trabalhar. Choveu muito na terça feira. O dia todo.
Entrei em casa e percebi que a poça não havia se mancado e secado sozinha! A desaforada ainda estava a minha espera! (E a chuva não parava.) Comecei a notar que ela havia se multiplicado. Das duas uma: ou era um milagre ou vazamento. Queria tanto que fosse Jesus agindo.
Resolvi dar mais atenção para aquela, antes inofensiva, e fui seguindo seu rastro. Não vem do chão, não vem de qualquer garrafa de água rompida, não vem do meu armário - Graças!!. Opa! Bem que minha mãe dizia que quem procura acha. Acha confusão, problemas, uma cascata descendo do teto, passando pela tomada e inundando sua sala sem qualquer previsão de ser contida.
Abro a porta desesperada e já com o rodo na mão. Nenhuma previsão de melhora. A água também estava escorrendo pela parede do corredor. Meu pensamento foi levado a todos os prédios do Rio que caíram nos últimos tempos. O teto estava preto, encharcado pela chuva que não dava trégua.
Ligo para minha mãe para avisar? Tenho algo de valor para retirar do prédio? Não, minha câmera está em Niterói e a TV não é LED, LCD já é coisa do passado. Sobrevivo a uma queda do segundo andar? O cara sobreviveu no elevador. E tantos que sobreviveram ao 11 de setembro. Aqui não tem elevador. Mas tudo vai dar certo ao menos que uma viga me acerte. Aí seria muita falta de sorte ou a minha hora mesmo.
O proprietário chega. Ele usava calça jeans e camiseta regata. Naquele frio?! Já é péssimo em dias de sol com todos aquele pelos saindo pela camiseta. Ele sobe até o telhado e constata que a culpa é toda dele, que resolveu economizar e mexer em algo no teto sem repor as telhas no lugar corretamente.
Senti vontade de falar alguns palavrões que estavam entalados, mandar que ele limpasse toda a minha casa incluindo o banheiro, pular em seu pescoço e apertar até cansar minha mão, mas o calo causado pelo rodo doía e tirou minha atenção.
Finalmente chega alguém que entende de telha trepada e "resolve" o problema. "Não vai entrar mais água no teto. As telhas já estão no lugar. Mas esta aí vai continuara escorrendo até secar o que entrou." - comunicou o proprietário com voz de alívio. Alívio para ele que não teve que passar o resto da noite puxando água e rezando para a incontinência da parede parar.
domingo, 15 de abril de 2012
Fantasia no meu mundo real
Era 2008. Eu apenas tinha um amor no meu imaginário. Uma saudade virtual. Um compromisso utópico. E isso me deixava em uma zona de conforto. Eu ainda era firme e decidida. Dizia "tchau" sem medo de que ele não me ligasse mais.Eu comecei a me preparar 15 dias antes dele chegar. Tudo deveria sair conforme o meu roteiro, pois é como eu sei trabalhar. Ele aceitou todas as minhas condições impostas. No fundo eu rezava para que ele discordasse, me dissesse não. Às vezes preciso disso. De alguém que interaja com minhas fantasias para me mostrar que isso é real.
No dia em que ele chegou eu convidei uma amiga para me acompanhar. Afinal, o que eu tinha que pudesse provar que aquele era realmente ele? Uma voz e algumas poucas fotos levemente desfocadas. Até havia algumas mais nítidas, nas quais ele estava lindíssimo, mas passara alguns anos que foram tiradas.
E eu também precisava de alguém que me servisse de testemunha. Alguém que interagisse com minha imaginação que teimava em me tirar o foco.
Cheguei absurdamente atrasada em nosso primeiro encontro. Segundo o porteiro do prédio, ele havia me esperado até aquele momento, de pé, em frente ao prédio. Prédio estranho - foi a primeira coisa que pensei. E já torcia para que tivesse algo errado, assim eu não precisaria viver. Já teria sido feliz na minha imaginação.
O porteiro interfona e aquele segundos de espera me matavam lentamente. Ele pede para que eu suba. Jamais, - eu penso - o que que ele está pensando que eu sou. E antes que eu pudesse dar alguma resposta mal criada pela minha mente, meu coração pulou na frente e cheio de gentileza respondeu: poderia pedir para que ele me encontrasse aqui, por favor? Ufa! Meu coração certamente sofreria sanções depois deste gesto repentino e espontâneo, mas terá valido a pena.
Enquanto aguardava o elevador, minha respiração sumiu e meus sentidos foram com ela. Eu já não ouvia e nem falava mais. A Nana disse algo que jamais saberei o que é. E enquanto escrevo esse texto, minhas mãos suam relembrando a angústia do meu corpo naquele momento infinito.
E sem que eu pudesse evitar, a porta do elevador antigo daquele prédio estranho no coração de Copacabana se abre. E quando ele me olha, sinto um vento carregando minha alma. Ela havia me deixado. O meu mundo de fantasia já não tinha mais roteiro após o diretor gritar "ação".
Tudo aconteceu em câmera lenta e eu consigo me lembrar de um momento em que a Nana me cutucou e disse "respira, amiga!". Eu havia esquecido. Só sabia respirar no meu mundo construído. E naquele momento eu fui obrigada a rasgar o roteiro e viver de improviso.
sexta-feira, 9 de março de 2012
Cinematograficamente encharcada
Era só mais um daqueles dias em que as únicas três coisas que você deseja são: banho, comer e dormir. Foi quase isso.
Na volta do inglês, passei no mercado para comprar um complemento para a janta. Fui para casa, tomei um bom banho, vesti algo confortável - na verdade, qualquer coisa é mais confortável que uma calça jeans - e fui cuidar da minha janta.
Coloquei para esquentar no microondas a comida que estava na geladeira, preparada pela minha mãe. Tudo certo, comida no prato faltando apenas o talher. Ah, o talher...
Termino de lavar o garfo com aquela fome de doer e quando fecho a torneira, a tragédia começa. Aposto que a maioria aqui já assistiu em algum filme ou novela uma cena muito comum na arte, mas nem tão comum assim no cotidiano.
Subitamente, recebo um jato de água gelada na cara, enquanto fechava a torneira. Não conseguia nem mesmo me perceber naquele momento. A torneira estava na minha mão!
Agora, analise minha condição: sozinha em casa, longe do telefone, água sendo lançada na minha sala, molhando móveis e com grande probabilidade de inundar a casa inteira. Sem falar que, quem eu chamaria? Nem mesmo conhecia um vizinho.
Fiquei tapando aquele cano com as mãos por aproximadamente 10 minutos - apesar de ter me parecido 1h.
Resolvi começar a resolver. O plano era tentar limitar o jato de água, pois impedir-lo por completo só mesmo fechando o registro. Esse era mais uma fase do joguinho. O registro ficava perto do teto, ou seja, eu ainda teria que subir na cadeira para fechá-lo.
Então tive uma ideia. Se eu colocasse uma colher de pau enrolada num Perfex para conter o volume de água, tudo estaria resolvido. Mas não foi o suficiente. Não segurou. E cada falha minha, de brinde eu levava um jato de água fria.
Respirei fundo, coloquei a colher de pau enrolada no Perfex e o galão de água para segurar. Escorregou. Rapidamente peguei uma concha de feijão que estava no escorredor para dar mais superfície ao cabo da colher de pau. E quando soltei a engenhoca, o líquido não oferecia mais perigo ao meu armário de madeira, que era a minha maior preocupação naquele momento.
Peguei a cadeira, fechei o infinito registro que nunca terminava de roscar. Ufa! E sem me descabelar com o que tinha virado a minha casa, troquei minha roupa, peguei meu prato, liguei a TV e fui jantar. Água seca com vento, minha fome só comida para sarar.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
BBB e todo esse blá, blá, blá...
Opinião é algo legal, pois cada um pode ter a sua. O mais importante é sempre haver respeito.
Com a Internet facilitada, a opinião passou a ser algo muito compartilhado
através das redes sociais e nem sempre ela é respeitada nesse meio. Além de ser
confundida, muitas vezes, com falta de respeito.quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Reflexo no espelho
Dizer que é perfeccionista não é mais um defeito. E agora? Que tipo de defeito eu posso falar sem correr o risco de perder a vaga?
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Eggs 2 - O Confronto Final
Hoje cheguei do trabalho com uma alegria de viver. Coloquei uma roupa mais leve e resolvi assistir o por-do-sol. Fiz algumas belas fotos. Renovei energias.
Na volta para casa não resisti e entrei no mercado. Aqui em Arraial não tem muita opção de diversão e com isso mercado vira uma espécie de shopping center, em menores proporções, lógico!
Achei que deveria comprar uma nova mistura para bolos, afinal, é receita de microondas. #amo
Até aí, tranquilo. Mas o fato é que, aqui em casa, ovo sempre estraga. Então não seria uma boa ideia comprar uma dúzia. Mas o mercado não vende avulso, logo, me restou a vendinha mais famosa de Arraial. Aquela mesma, do caso Eggs.
Pensei "Imagina! O cara atende vááárias pessoas. Não vai lembrar de mim.". Eu tinha a missão de fazer o pedido de ovos mais natural do mundo. Então, eis que eu adentro ao recinto, dirijo-me até o balcão, encaro o senhorzinho de cabeça branca de frente e digo: tem ovos?
Reparem que com essa frase eu pergunto implicitamente se tem ovos em seu estabelecimento para serem vendidos. O que não daria margem para qualquer outro pensamento. Entretanto, querido auditório, eu percebi um discreto sorriso em seus lábios - fato que se lembrou do ocorrido. Ele aguenta firme, faz um breve silêncio e responde: não tem.
Fiz uma breve lamentação. Comentei que havia deixado de comprar no mercado, pois ali comprava avulso e tal. E antes que eu pudesse me enrolara mais, saí com uma certeza: Não volto jamais!!!
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
O beijo que não foi.
Assumimos nossas antigas posições de "apenas bons amigos". Lidei bem com isso. Melhor até do que eu esperava. Sempre pensei que isso não precisava se tornar um jogo. E assim foi feito.
Mas venho sofrendo de outro mal. O mal do beijo não dado. Penso mais nesse do que no realizado! Algo está errado comigo. Algo está saindo do controle e isso não é bom.
Não falo do amor que já sinto. Este é diferente. É calmo. Não há espaço para insegurança. Não há saudade insuportável. Não há juramento. É algo que beira o fraternal.
Falo de algo novo, que ainda não descobri o que é. Falo precocemente, pois ainda não é coisa alguma que se possa denominar. Mas está ali. Num canto. Sofrendo algum tipo de metamorfose.
Culpa daquele beijo despretensioso na orelha que terminou por desencapsular esse vírus, ainda estranho no meu corpo.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Bem, me quer?
Acho que cheguei na crise dos 30 precocemente. Percebo que entrei novamente na fase reflexiva sem que seja ano novo. Talvez sejam questionamentos comuns entre as pessoas. Acredito que sim. Mas não ter as respostas imediatas me deixa ansiosa. Tenho pensado sobre:
o que eu fiz da minha vida?
já vou fazer 30, o que eu fiz até aqui?
o que falta ser feito?
será que irei conseguir fazer?
será que irei me casar?
terei filhos?
será que eu quero ter filhos?
será que eu realmente quero casar?
que país quero conhecer?
que língua eu quero falar?
que colchão quero comprar para minha cama?
que foto ainda falta bater?
qual será a nova febre da internet?
quanto tempo ainda terei minha vó comigo?
quantos anos minha cadela irá viver?
por que eu sou flamengo e meu pai vasco? (risos)
sexta-feira, 27 de maio de 2011
O tudo ainda é pouco
Eu agora poderia "sossegar o facho", como diria a minha mãe, mas não sou feita disso. Consegui o que mais queria na vida. Não lembro de querer algo mais do que eu quis esse encontro. Sabe quando o alpinista chega ao cume? O que ele faz depois? Desce!
Era o que eu tinha a fazer. Voltei da Suíça e agora procuro um novo cume. Um novo querer. Algo que me exija tempo, desejo, orações, privações, ansiedade, paixão e estratégia. Pensa que é fácil?
Hoje pela manhã, ouvindo a CBN o locutor falava sobre a chegada do iPad 2 no Brasil. Pessoas dormindo na fila. Um delírio sobre algo que sequer tem uma função definida. Quero ver você sentar na praça, no fim da tarde, pegando uma brisa e se divertindo na Internet com seu iPad 2. O risco inicial é só perder o equipamento. Mas se o funcionário do crime estiver com tempo livre, pode levar também carteira e celular. Ou seja, não é algo que faça parte de nossa cultura.. Pelo menos, falo por mim. Eu acharia essa cena bem tosca.
A verdade é que eu não preciso de um iPad 1 ou 2 e isso me deixa um pouco confusa. Sou eu que estou errada? Acho melhor encontrar logo um querer novo. Seja uma bolsa, um sapato, uma país ou somente um alguém.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Questionário de bolso
Quando sabemos se já estamos preparados para sermos adultos? Preparados para termos problemas de adultos? Quem vai pagar as contas desse amor pagão?, já diziam Os Paralamas. Mal acabei de resolver meus problemas de adolescência e já havia um embrião em desenvolvimento: problemas de gente grande. Foi parido sem que eu sentisse – e acho que foi prematuro. Quando vi, já estava lá lutando por uma posição na empresa, processando a operadora de celular, tirando o passaporte, abrindo uma ocorrência no Detran ou uma conta corrente no banco.
Até ontem meu único problema era descobrir o que eu queria ser. Será que já sou o que queria. E se não for, ainda quero ser o que um dia quis? E quando eu for, o que farei depois de ser?
O que faço com aquilo que já tenho, visto que, o que move o mundo é o estímulo. Todos precisamos de algum. E nesse momento me faltam planos. Sempre achei que, com quase trinta eu estaria seguindo a vida em velocidade linear. Mas a inércia prende meus movimentos. É como não acelerar e nem frear, somente ir. E pra onde? Pra onde estou me levando?
Uma vez vi em um programa de TV que criança que faz muita pergunta será um adulto inteligente. E se você cresce e percebe que as perguntas não cessaram, que tipo de adulto você está se tornando?
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Eggs
Tem coisas que acontecem conosco que o melhor que fazemos é trancarmos a sete chaves. Mas, como não sou baú... vou contar! rs
Chegando a minha rua, só pensava no que eu iria jantar. Repassava tudo que tinha no meu congelador e nada me atraía. Eis que eu me lembro do arroz deixado pela minha querida mãe dentro da minha pequena geladeira.
Eu estava a salvo. Logo fui imaginando dois ovos fritos em cima daquele arroz branco.. hummmm!
Para isso só faltavam os ovos. Porém, para minha sorte, existe uma birosquinha na minha rua. Entro afobada na vendinha e percebo que o dono - um senhor já de cabeça branca - estava um pouco atarefado com a porta do estabelecimento.
Olho para cima e disparo: "Boa noite! O senhor tem ovos?". E antes que ele pudesse responder, eu percebi pela mudança de seu semblante que algo havia soado mal. Resolvi contornar a situação e em seguida lancei: "Vermelhos?!". Deus! Mais uma me*r#da havia escapado sem que eu a segurasse em meus lábios.
Ainda tentando resgatar o mínimo de dignidade que poderia parecer me restar naquele momento, fechei o discurso com chave de ouro e completei: "Avulsos?".
Não havia mais saída. O mal já estava entendido e ninguém poderia explicá-lo que sou expert em frases de duplo sentido sem que eu saiba que ela tinha outro sentido antes.
O senhor, muito discreto e gentil, não deixou transparecer o embaraço da situação. Interessado na venda, ele me pergunta: "Quantas dúzias?". E eu, que me assustei com a pergunta pelo fato de morar sozinha, concluo a conversa dizendo: "Não, sãos dois!".
Me restou somente pegar meus dois ovos avulsos e vermelhos e voltar para casa corada e segurando o riso com a certeza de que levarei um bom tempo para voltar naquele lugar.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Anúncio - re-postado a pedido.
Procura-se alguém que se intitule namorado. Alguém que ande de mãos dadas, que olhe nos olhos, que toque com as pontas dos dedos. Um ser que passe toda a tarde curtindo somente minha companhia sem o foco do seu próprio prazer. Sem pensar a todo tempo em seu órgão reprodutivo. Esta pessoa deve desejar conhecer coisas novas ao meu lado. Ainda que seja uma comida de aparência e nome estranhos, mas de gosto peculiar como canjiquinha. Que entenda que eu não bebo refrigerante porque não sei arrotar. Que ria disso, mas não me transforme em piada.
Um homem com o equilíbrio certo de sensibilidade. Que chore ao assistir Cidade dos Anjos e ao me ver chorando por sua partida iminente. Mas que saiba me dizer um seguro não quando eu estiver tomando as rédeas da relação (requisito muito importante).
Pode também me ligar bêbado e dizer que me ama bem alto na frente dos amigos. Demonstrações públicas de afeto sempre me impressionam. Mesmo as mais íntimas são admiráveis, como o ato de me ligar nos seus 15 minutos de folga, mesmo tendo que enfrentar uma fila para usar o telefone e só restarem 5 minutos para dizer o quanto me ama e o quanto sente minha fala.
Passear em um lindo fim de tarde de mãos dadas pela praia também faz parte do pacote. Principalmente se fizer poses lindas para nossas fotos do álbum “Casal Feliz”.
Deve ter tatuagem, olhos verdes, falar uma língua estranha, me abraçar como se fosse a última vez e me fazer pensar todos os dias que podem existir "infinitas" mulheres lá fora, mas de todas elas a escolhida fui eu.
PS: Isso não é utopia. É amor e eu só sei que foi assim...
PS2: Esse texto havia sido deletado por mim. Porém recebi uma forte intimação para repostá-lo. Aproveitem antes que eu resolva mudar de idéia novamente (rs).
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Balanço anual
O ano de 2010 já desencarnou e eu fiz que nem vi. Não achei justo. Já consigo colocar "11" no fim das datas nos documentos. Já consigo olhar com o distanciamento necessário para ele.
O primeiro trimestre foi só de adaptação. Indo e voltando freneticamente da minha cidade natal para a minha atual cidade. Vivendo na corda bamba de um relacionamento intenso, necessário, divertido e revelador. Mas tudo isso sem dizer que ama, sem fazer planos, sem acreditar em um futuro a dois, sem tocar um no outro.
Esse segundo trimestre foi bem agitado. Ele se retira para dar lugar para quem é de direito: min kärlek. Ele ressurge das cinzas feito uma Fênix só para testar o meu amor - e teve sua prova. E mais uma vez desaparece, entre as cinzas de um vulcão em fúria (vulcão islandês Eyjafjallajokul). Me deixa aqui e leva consigo o que eu tinha de mais bonito para lhe oferecer: amor. Então, resolvi me divertir um pouco para esquecer de ambos. Aceitei sair à noite com alguns amigos e fui assaltada no ponto de ônibus na ida. Volto pra casa sem nem gastar o perfume.
Passei quase todo o terceiro trimestre me recuperando do primeiro semestre e envolvida com a monografia. Juro, achei que fosse surtar! Depois de ter conseguido a entrevista com o Leoni, achei que tudo mais seria pinto. Foi fo#d@, isso sim! Mas no final a criança nasceu e muito bem obrigada. Com a nota 9,5 fui aprovada com o conceito 'A' de excelente. Um dos melhores gostos de vitória que já senti depois da aprovação no vestibular.
Dali para cá não mudou muita coisa. Procurei relaxar um pouco e pensar em outras coisas, como minhas férias. Mas isso é assunto para outro post. Vivi coisas bem diferentes e me descobri um pouco mais. No geral, foi um belo ano. Positivo.





