quinta-feira, 7 de abril de 2011

Questionário de bolso

Yannick


Quando sabemos se já estamos preparados para sermos adultos? Preparados para termos problemas de adultos? Quem vai pagar as contas desse amor pagão?, já diziam Os Paralamas. Mal acabei de resolver meus problemas de adolescência e já havia um embrião em desenvolvimento: problemas de gente grande. Foi parido sem que eu sentisse – e acho que foi prematuro. Quando vi, já estava lá lutando por uma posição na empresa, processando a operadora de celular, tirando o passaporte, abrindo uma ocorrência no Detran ou uma conta corrente no banco.


Até ontem meu único problema era descobrir o que eu queria ser. Será que já sou o que queria. E se não for, ainda quero ser o que um dia quis? E quando eu for, o que farei depois de ser?

O que faço com aquilo que já tenho, visto que, o que move o mundo é o estímulo. Todos precisamos de algum. E nesse momento me faltam planos. Sempre achei que, com quase trinta eu estaria seguindo a vida em velocidade linear. Mas a inércia prende meus movimentos. É como não acelerar e nem frear, somente ir. E pra onde? Pra onde estou me levando?

Uma vez vi em um programa de TV que criança que faz muita pergunta será um adulto inteligente. E se você cresce e percebe que as perguntas não cessaram, que tipo de adulto você está se tornando?

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Eggs




Tem coisas que acontecem conosco que o melhor que fazemos é trancarmos a sete chaves. Mas, como não sou baú... vou contar! rs

Chegando a minha rua, só pensava no que eu iria jantar. Repassava tudo que tinha no meu congelador e nada me atraía. Eis que eu me lembro do arroz deixado pela minha querida mãe dentro da minha pequena geladeira.

Eu estava a salvo. Logo fui imaginando dois ovos fritos em cima daquele arroz branco.. hummmm!
Para isso só faltavam os ovos. Porém, para minha sorte, existe uma birosquinha na minha rua. Entro afobada na vendinha e percebo que o dono - um senhor já de cabeça branca - estava um pouco atarefado com a porta do estabelecimento.

Olho para cima e disparo: "Boa noite! O senhor tem ovos?". E antes que ele pudesse responder, eu percebi pela mudança de seu semblante que algo havia soado mal. Resolvi contornar a situação e em seguida lancei: "Vermelhos?!". Deus! Mais uma me*r#da havia escapado sem que eu a segurasse em meus lábios.

Ainda tentando resgatar o mínimo de dignidade que poderia parecer me restar naquele momento, fechei o discurso com chave de ouro e completei: "Avulsos?".
 Não havia mais saída. O mal já estava entendido e ninguém poderia explicá-lo que sou expert em frases de duplo sentido sem que eu saiba que ela tinha outro sentido antes.

O senhor, muito discreto e gentil, não deixou transparecer o embaraço da situação. Interessado na venda, ele me pergunta: "Quantas dúzias?". E eu, que me assustei com a pergunta pelo fato de morar sozinha, concluo a conversa dizendo: "Não, sãos dois!".

Me restou somente pegar meus dois ovos avulsos e vermelhos e voltar para casa corada e segurando o riso com a certeza de que levarei um bom tempo para voltar naquele lugar.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Anúncio - re-postado a pedido.

Procura-se alguém que se intitule namorado. Alguém que ande de mãos dadas, que olhe nos olhos, que toque com as pontas dos dedos. Um ser que passe toda a tarde curtindo somente minha companhia sem o foco do seu próprio prazer. Sem pensar a todo tempo em seu órgão reprodutivo.

Esta pessoa deve desejar conhecer coisas novas ao meu lado. Ainda que seja uma comida de aparência e nome estranhos, mas de gosto peculiar como canjiquinha. Que entenda que eu não bebo refrigerante porque não sei arrotar. Que ria disso, mas não me transforme em piada.

Um homem com o equilíbrio certo de sensibilidade. Que chore ao assistir Cidade dos Anjos e ao me ver chorando por sua partida iminente. Mas que saiba me dizer um seguro não quando eu estiver tomando as rédeas da relação (requisito muito importante).

Pode também me ligar bêbado e dizer que me ama bem alto na frente dos amigos. Demonstrações públicas de afeto sempre me impressionam. Mesmo as mais íntimas são admiráveis, como o ato de me ligar nos seus 15 minutos de folga, mesmo tendo que enfrentar uma fila para usar o telefone e só restarem 5 minutos para dizer o quanto me ama e o quanto sente minha fala.

Passear em um lindo fim de tarde de mãos dadas pela praia também faz parte do pacote. Principalmente se fizer poses lindas para nossas fotos do álbum “Casal Feliz”.

Deve ter tatuagem, olhos verdes, falar uma língua estranha, me abraçar como se fosse a última vez e me fazer pensar todos os dias que podem existir "infinitas" mulheres lá fora, mas de todas elas a escolhida fui eu.

PS: Isso não é utopia. É amor e eu só sei que foi assim...

PS2: Esse texto havia sido deletado por mim. Porém recebi uma forte intimação para repostá-lo. Aproveitem antes que eu resolva mudar de idéia novamente (rs).

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Balanço anual


O ano de 2010 já desencarnou e eu fiz que nem vi. Não achei justo. Já consigo colocar "11" no fim das datas nos documentos. Já consigo olhar com o distanciamento necessário para ele.

O primeiro trimestre foi só de adaptação. Indo e voltando freneticamente da minha cidade natal para a minha atual cidade. Vivendo na corda bamba de um relacionamento intenso, necessário, divertido e revelador. Mas tudo isso sem dizer que ama, sem fazer planos, sem acreditar em um futuro a dois, sem tocar um no outro.

Esse segundo trimestre foi bem agitado. Ele se retira para dar lugar para quem é de direito: min kärlek. Ele ressurge das cinzas feito uma Fênix só para testar o meu amor - e teve sua prova. E mais uma vez desaparece, entre as cinzas de um vulcão em fúria (vulcão islandês Eyjafjallajokul). Me deixa aqui e leva consigo o que eu tinha de mais bonito para lhe oferecer: amor. Então, resolvi me divertir um pouco para esquecer de ambos. Aceitei sair à noite com alguns amigos e fui assaltada no ponto de ônibus na ida. Volto pra casa sem nem gastar o perfume.

Passei quase todo o terceiro trimestre me recuperando do primeiro semestre e envolvida com a monografia. Juro, achei que fosse surtar! Depois de ter conseguido a entrevista com o Leoni, achei que tudo mais seria pinto. Foi fo#d@, isso sim! Mas no final a criança nasceu e muito bem obrigada. Com a nota 9,5 fui aprovada com o conceito 'A' de excelente. Um dos melhores gostos de vitória que já senti depois da aprovação no vestibular.

Dali para cá não mudou muita coisa. Procurei relaxar um pouco e pensar em outras coisas, como minhas férias. Mas isso é assunto para outro post. Vivi coisas bem diferentes e me descobri um pouco mais. No geral, foi um belo ano. Positivo.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Repaginando

Deixar de ser eu mesma nesse momento, também faz parte do plano. Me deparar com o que eu fui quando você ainda habitava em mim entra em choque com o que eu desejo realmente ser. Percorrer todo esse caminho me mostrou muitas estradas. E foi você que me levou até elas.

Não estou pedindo para que vá embora. Eu estaria enterrando minha própria vida, minhas vivências, minha história real de conto de fadas. Apenas desejo desfrutar de sua ausência, não só a física.
Estou longe de querer viver uma personagem nessa altura da vida. Mas poder fazer escolhas baseadas em meu próprio querer é o que tenho buscado.

Tirar de uma obra o que ela tem de melhor não te faz personagem do livro. Te faz humana. Mostra um ser passível de mutação. Ainda prefiro assim a ter "aquela opinião formada sobre tudo" (#TocaRaul).

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

À deriva



Resolvi não esperar a virada de ano para me virar nas coisas.
É sempre aquele mesmo papinho "Ano novo, vou mudar o cabelo", "Ano novo, vou voltar para o cursinho".
Achei melhor não arriscar e fiz tudo isso ainda no ano velho, para que sobre tempo para outras promessas de fim de ano.

Agora a responsabilidade aumenta, pois não sobraram muitas opções. E esse papo de voltar para a academia já não cola mais. Nem Papai Noel acredita.

Aceito sugestões. Confesso que ando um pouco sem criatividade pra viver. Dá uma preguiça às vezes.
E esse papo não tem relação alguma com morte. Falo de entusiasmo. Faz tempo que não me empolgo de verdade com algo. Anda tudo tão parado como barco marolando à deriva. Sou só eu que sinto isso?

Queria mudar de pista. Pegar a contra-mão. Exceder a velocidade e frear bruscamente. Ah! mas dá uma preguiça de consertar as barbeiragens do caminho. Sem contar rever todas as multas. Sei não, acho que vou ficar um pouco mais na marolinha.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Pra você guardei o amor...

Há pelo menos duas semanas essa música vem me perseguindo. Grudou na minha mente feito chiclete. Achei que era dor de cotovelo e tal e por isso pensei que não valeria um post. Porém, analisando friamente o que ela diz, percebi que ela causa uma certa aflição. Pelo menos em mim.

Esse é o clipe da música em questão:








Essa "aflição" se deve ao fato de perceber que realmente mantenho um amor guardado dentro do peito. Aquele amor que, enquanto somos construídos, nos é ensinado que somente dever ser dado à quem é realmente especial.

Como ter a certeza que esse é o 'especial'? Na dúvida, é melhor esperar o próximo. Tipo jurado que não dá 10 para a primeira apresentação, apesar de ser perfeita, por achar que ainda pode aparecer uma outra melhor mais para frente e aí fica chato, né?! Afinal, não dá para dar 11.

"Guardei sem ter porquê ou por razão ou coisa outra qualquer." Eu já tenho a terrível mania de guardar nota de tudo que compro. Sempre acho que vou precisar. E sabe que quando desencano e resolvo jogar fora logo após a compra, acabo tendo algum problema e precisando do raio do cupom fiscal.

Para mim, a explicação para essa "coisa outra qualquer" é o medo de entregar o seu mais puro sentimento, baixar toda a sua guarda para alguém que não merecia.

Eu tenho esse medo, mas decidi que não vou guardar mais nada. Vai que eu morro e não dá tempo de usar. Quero poder usar a raiva e o ódio. Saborear a plenitude da pureza de um sentimento e a vingança. Aprender a me reconstruir em forma de mosaico com os cacos que a vida me deixou.